Audio livro do Harry Potter em minhas caminhadas

Adoro literatura infanto-juvenil, escolho com cuidado os livros dos meus filhos, que ainda não chegaram à alfabetização. A paixão pela literatura veio com esses autores que eram capazes de me deixar sem ar ou fazer sonhar com outros universos. Reconheço nisso o mesmo talento e importância de um Kafka. Além de ser ótimo para o estilo. Via de regra, uma criança de 7 ou 8 anos não é capaz de passar duas horas seguidas em qualquer atividade, por isso o livro tem lá seus 20 a 40 minutos para criar o desejo que levará a uma nova sessão de leitura.

Sei que a maioria dos críticos considera a série Harry Potter, da escocesa J. K. Rowling, uma literatura menor. Não faço crítica literário, mas mesmo que soltasse uma, vez ou outra, não estaria alinhado com eles. Acho bem escrito, uma trama bem costurada e com uma perspicácia  adicional: cada livro da séria é um tanto mais complexo que o anterior. Isso faz com que o leitor do primeiro livro, lá pelos 10 anos, não considere o quinto da série uma obra imbecil. A obra começa com Harry aos onze anos de idade. Cada livro cobre um ano letivo e amadurece com o personagem.

Fiz essa pequena introdução para mudar de assunto. Sempre que posso vou e volto a pé do trabalho. Felizmente a frequência desses passeios tem sido bastante alta. Uma caminhada em torno de 40 minutos em ritmo razoável, e 30 forçando o passo. Geralmente com música, um vício meu.

Há alguns dias resolvi mudar. Às vezes não estou no clima pra música e acabava apelando para os noticiários radiofônicos. Ai que tédio. As bolsas subiram, as bolsas desceram, o presidente diz que não sabia, os candidatos se atacaram e trânsito… bom, com o trâfego de veículos é que não quero me importar nessa hora. Então resolvi comprar o meu primeiro audio livro. Justamente o penúltimo da série Harry Potter. Esse tinha ficado pra trás na lista das próximas leituras e essa pareceu uma boa oportunidade.

Encomendei na amazon o livro 6, Harry Potter and the Half-Blood Prince, com narração de Jim Dale. Não foi barato, US$ 47,00 mais frete. Apesar de falarem em 18 a 30 dias, chegou em uma semana. Pois bem, ontem comecei a escutar, e a primeira opinião é muito satisfatória. Achei que fosse me perder em pensamentos e não “capturar” o história, mas isso não aconteceu. Merito de Dale, em uma narração muito boa.

Sem dúvida deixei um naco de preconceito pra trás e posso dizer que esse foi o meu primeiro audio-livro.

Deixem seus comentários, já leu um audio livro? Sim? Não? Gostou? Por que?

Sá de Miranda - Soneto

Poeta do classicismo pouco lembrado no Brasil.

O sol é grande, caem coa calma as aves,
Do tempo em tal sazão que sói ser fria:
Esta água, que d’alto cai, acordar-me-ia,
Do sono não, mas de cuidados graves.

Ó coisas todas vãs, todas mudaves,
Qual é o coração que em vós confia?
Passando um dia vai, passa outro dia,
Incertos todos mais que ao vento as naves!

Eu vi já por aqui sombras e flores,
Vi águas, e vi fontes, vi verdura;
As aves vi cantar todas d’amores.

Mudo e seco é já tudo; e de mistura,
Também fazendo-me eu fui doutras cores;
E tudo o mais renova, isto é sem cura.

Manuel Bandeira - Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Sun Tzu - A arte da guerra

Um dos livros mais famosos de todos os tempos, A Arte da Guerra de Sun Tzu. Está disponível agora aqui no blog, em sua versão integral.
Creio que poucas obras não-religiosas foram tão utilizadas como referência quanto esta. Ainda que o general chinês nunca teve outra intenção senão escrever sobre a preparação para uma guerra, suas observações foram adotadas por 9 entre 10 gurus dos negócios e  gestão de empreendimentos.

Independente de qualquer coisa, esse livro certamente entra na minha lista das 100 obras que não devemos deixar de ler.

Sun Tzu - A arte da guerra.

Shakespeare - Poema de amor e amizade

Perguntei a um sábio ,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade…
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas ,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

Ano Machado de Assis

No final de 2007 foi publicada no diário oficial uma lei que transformou 2008 no “Ano Nacional Machado de Assis”. A canetada em si não produz efeito algum, mas as editoras começam a fazer sua parte. Serão vários os relançamentos, há até compilações inéditas.

Claro que Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro estão nos pacotes, mas quem quiser conhecer a parte menos divulgada do universo Machadiano pode se deliciar com Histórias da meia-noite, uma compilação de contos, e Toda a Poesia de Machado de Assis, que traz centenas de poemos publicados em jornais e revistas ao longo da sua vida.

Abaixo um poema de Machado, certamente não é o melhor da sua carreira mas deixa claro a facilidade com que escrevia.

Bons Amigos - Machado de Assis
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente! Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

D. Marluce

Heloisa abriu tópico sobre blogs literários, ou com estilo literário, na lista da blogosfera. Enquanto leio as respostas encontro pequenas delícias, entre elas esse texto chamado “vil metal” no glayson.blogspot.com. Muito bom.

Agradeço à Heloisa.

José Olympio relança obras “esquecidas”

A José Olympio, uma das mais tradicionais editoras brasileiras, hoje pertencente ao grupo Record, começou a lançar obras importantes há muito fora de catálogo. Eis alguns dos títulos já lançados:

  • “O Coronel e o Lobisomem, de José Cândido de Carvalho.
  • “Bartleby, o escrivão” de Herman Melville (autor de Moby Dick)
  • “O mundo do sexo”, de Henry Miller
  • “Caminhando”, de Henry David Thoureau

Algumas dessas obras fazem parte da coleção sabor literário, que lança obras menos conhecidas de autores consagrados. Enfim, vale a pena conferir, eu já fiz uma lista de uns 10 que pretendo ler. Os preços das obras vão de R$ 19,00 a R$ 39,00, pelo menos das que já encontrei nas livrarias.

Conforme for lendo colocarei minhas impressões aqui.

A irônica de Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco é tido como o primeiro escritor profissional da língua portuguesa, vivia exclusivamente do que produzia. Talvez por buscar a originalidade e ter que produzir muito  vivia às turras com políticos. Chegou mesmo a apanhar de capangas de um governador. Deliciosa mesmo é sua irônia na dedicatória de “amor de perdição”.

AO
ILMO. E EXMO. SR.

ANTÔNIO MARIA DE FONTES PEREIRA DE MELO

DEDICA
O AUTOR

Ilmo. e Exmo. Sr.

Há de pensar muita gente que V. Exa. não dá valor algum a este livro, que a minha gratidão lhe dedica. porque muita gente está persuadida que ministros do Estado não lêem novelas. É um colega de V. Exa. discorrer no parlamento acerca de caminhos de ferro - Com tanto engenho o fazia, de tantas flores matizara aquela matéria. que me deleitou ouvi-lo. Na noite desse dia, encontrei o colega de V. Exa. a ler “Fanny”, aquela “Fanny” que sabia tanto de caminhos de ferro como eu.

Que V. Exa. tem romances na sua biblioteca, é convicção minha. Que lá tem alguns, que não leu, porque o tempo lhe falece e outros porque não merecem tempo, também o creio. Dê V. Exa., no lote dos segundos, um lugar a este livro. e terá assim V. Exa. significado que o recebe e aprecia, por levar em si o nome do mais agradecido e respeitador criado de V. Exa..

Na cadeia da Relação do Porto,
aos 24 de setembro de 1861.

Se passou desapercebido a alguém, note que escreveu da cadeia. Abaixo, algumas fotos das edificações.

cadeia_porto.jpg cadeia_01txt.jpgcadeia_02txt.jpg

30 dicas para escrever bem

Esse é um daqueles emails enviados por um amigo, que recebeu de um parente, que pegou de um colega que desconhece a origem.  Quero dizer que não sei quem é o autor. Divirta-se.

  1. Vc. deve evitar ao máx. abrev., etc.
  2. Desnecessário faz-se empregar estilo demasiadamente rebuscado na escrita, segundo conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisistico redundante.
  3. Pleonasmos são desnecessários. Vou sonhar um sonho e subir para cima do meu ideal para que todos falem um dia sem usar nenhum pleonasmo.
  4. “Não esqueça das maiúsculas”, como já dizia dona loreta, minha professora lá do colégio rosário, na independência.
  5. Evite lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz.
  6. O uso de parênteses (mesmo quando relevante) é desnecessário.
  7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
  8. Chute o balde no emprega da gíria, mesmo que sejam maneiras, tá ligado?
  9. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa merda. Parece coisa de veado.
  10. Nunca generalize: generaliza, em todas as situações, sempre é um erro.
  11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra faz com que ela, a palavra repetida, desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
  12. Não abuse das citações. Como costumava dizer meu amigo: “Quem cita os outros, não tem idéias próprias”.
  13. Frases incompletas podem causar um…
  14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma idéia indefinidamente.
  15. Seja mais ou menos específico, ou muito antes pelo contrário.
  16. Frases com apenas uma palavra? Nunca.
  17. A voz passiva deve ser evitada.
  18. User a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente a esta última deve ser  corretamente empregada ou será que ninguém a não ser eu sabe empregar corretamente o ponto de interrogação.
  19. Eu um cara inteligente sei que o aposto fica entre vírgulas.
  20. Conforme recomenda a AGOP, nunca use siglas desconhecidas.
  21. Exagerar é cem bilhões de vezes pior que a moderação.
  22. Evite mesóclises. Repita comigo. “Mesóclises? Evita-las-ei!”
  23. Analogias, na escrita, são tão inúteis quanto chifres em cabeça de cavalo.
  24. Não abuse das exclamações! Nunca! Nunca! Seu texto fica horrível! Horrível!
  25. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a lingüa portuguêza.
  26. Seja incisivo e coerente, ou não.
  27. Não fique escrevendo no gerúndio. Você vai deixando seu pobre texto causando ambigüidade, ficando com a sensação de que as coisas estão acontecendo.
  28. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da idéia contida nelas, e, conseqüentemente, por conterem mais de uma idéia central, o que nem sempre tornar o seu conteúdo acessível, forçando a torná-las incompreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases curtas.
  29. Evite uso cacófato. Veja que lindo poema como prova de que há saída para uma bela rima: “Nunca houve tão bela, quando abriu a boca dela”.
  30. Mas bá! Outra barabaridade que tu também deves evita, é usar muitas expressões que denunciem a região onde vives, tchê!

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